10 anos de “Glory”: o adeus glorioso (até aqui) de Britney Spears à indústria musical
Relembre a produção da princesa do pop, as polêmicas do clipe de “Make Me…” e o porquê o disco segue tão especial para os fãs.

Britney Spears em foto promocional para a residência “Piece of Me”. Imagem: Divulgação.
Nesta quarta-feira (26), completam-se 10 anos de “Glory”, nono álbum de estúdio de Britney Spears. Lançado em 26 de agosto de 2016 pela RCA Records, o disco representa, até hoje, o último trabalho de estúdio completo da carreira da cantora. Por isso, essa data carrega um significado ainda mais especial para os fãs da Princesa do Pop.
O caminho até o lançamento
A jornada de “Glory” começou em agosto de 2014, quando Britney renovou seu contrato com a RCA Records e iniciou a composição de novas músicas. O processo de gravação levou dois anos e meio, passando por uma repaginação completa após os primeiros seis meses de trabalho, já que a loira ficou insatisfeita com os resultados iniciais. Esses ajustes, entretanto, foram cruciais para que o álbum ganhasse sua forma final.
Uma produção cuidadosa, com Karen Kwak à frente
A virada aconteceu com a chegada de Karen Kwak como produtora executiva do álbum. Kwak buscou resgatar a sonoridade de discos como “Blackout” (2007) e “In The Zone” (2003), escolhendo produtores com esse objetivo em mente. Ainda que Britney não tenha recebido o crédito oficial de produtora executiva, ela teve influência decisiva sobre o projeto: escolheu a maior parte das faixas e definiu o single de trabalho. Dessa forma, “Glory” reflete tanto a visão de Kwak quanto o instinto artístico da própria Britney.
As parcerias que marcaram a era: G-Eazy e Tinashe
O álbum ganhou vida com o single “Make Me…”, parceria com o rapper G-Eazy, que apresentou uma Britney confiante e sedutora, sem soar explícita. Já “Slumber Party” trouxe a colaboração com Tinashe, somando camadas de sensualidade a uma produção inspirada esteticamente no clássico “Eyes Wide Shut”. Juntas, essas parcerias ajudaram a consolidar a identidade sonora da era.
Recepção da crítica e sucesso nas paradas
A crítica especializada recebeu “Glory” com entusiasmo. Os principais portais de música chegaram a classificar o disco como o melhor trabalho de Britney desde “Blackout”, elogiando a produção confiante e comedida. Nas paradas, o álbum estreou na 3ª posição da Billboard 200, com 111 mil cópias vendidas na primeira semana, superando o desempenho de “Britney Jean” (2013). No Reino Unido, chegou ao 2º lugar, seu melhor resultado no país desde “Blackout”. Ao todo, o disco soma mais de 495 milhões de streams no Spotify e ultrapassa 1,1 milhão de cópias vendidas globalmente, além de premiações como o Billboard Music Awards e o GLAAD Media Awards.
A polêmica em torno do clipe de “Make Me…”
A era também guardou polêmicas. O diretor David LaChapelle, responsável pelo clipe de “Everytime” (2004), foi inicialmente escalado para dirigir o videoclipe de “Make Me…”. Cenas do material vazaram na internet, mostrando uma produção extremamente ousada para o momento controverso na vida pessoal da cantora. Entretanto, a RCA Records optou por lançar um vídeo completamente diferente e bem mais contido, dirigido por Randee St. Nicholas. A decisão gerou tamanha revolta entre fãs, que chegaram a criar uma petição pedindo o lançamento da versão original. O clipe de LaChapelle só vazou definitivamente em 2019, e o próprio diretor se distanciou do material na época.
O relançamento do álbum após movimento de fãs
Em 2020, uma campanha de fãs chamada #JusticeForGlory recolocou o álbum no topo do iTunes americano. Como resposta, Britney relançou o disco com uma nova capa, além da faixa “Mood Ring (By Demand)”, antes exclusiva do Japão. Meses depois, a versão deluxe também ganhou uma reedição, trazendo as inéditas “Swimming in the Stars” e “Matches”, esta última em parceria com o Backstreet Boys.
Um álbum ainda mais especial diante das recentes declarações de Britney
Recentemente, Britney afirmou publicamente não ter mais interesse em retornar à indústria musical. Diante disso, “Glory” ganha um peso simbólico ainda maior: ele representa o último capítulo, até aqui, de uma trajetória marcada por reinvenções. Em 2022, a própria cantora declarou que gravar o álbum a ajudou a “recuperar a chama” em meio à tutela restritiva que viveu na época.
Uma Britney madura, sensual e autêntica
Musicalmente, “Glory” mostra uma Spears mais madura em suas composições. Faixas como “Invitation” equilibram vulnerabilidade e controle, enquanto “Change Your Mind (No Seas Cortés)” apresenta uma mulher confiante, no comando de seus próprios desejos. Ainda assim, a sensualidade permanece presente em praticamente todo o repertório, sem perder a autenticidade. Por isso, o álbum consegue imprimir maturidade artística com a ousadia que sempre definiu a carreira da Princesa do Pop, e segue vivo entre os fãs.
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