39 anos de “Bad”: a era que marcou Michael Jackson
Há 39 anos, no dia 31 de agosto de 1987, Michael Jackson lançava “Bad”, seu sétimo álbum de estúdio, através da Epic Records. O disco marcou também o terceiro e último trabalho de parceria entre Michael e o produtor Quincy Jones. O álbum “Bad” chegou na esteira do sucesso de seu antecessor, “Thriller”, que coleciona uma série de recordes, desde o posto de álbum mais vendido de todos os tempos até o de maior número de Grammys conquistados em uma única noite.

Capa oficial do álbum “Bad”. Foto: Divulgação.
“Bad” alcançou um feito histórico ao colocar cinco singles no 1º lugar da Billboard Hot 100: “I Just Can’t Stop Loving You”, “Bad”, “Man in the Mirror”, “The Way You Make Me Feel” e “Dirty Diana”. Além disso, recebeu seis indicações ao Grammy Awards, mas não venceu nenhuma das categorias em que foi indicado.
Musicalmente, o álbum apresentou uma nova postura. As batidas ficaram mais pesadas, combinando o pop-dance com diferentes estilos, que iam do soul ao hard rock. Michael também incorporou novas tecnologias, utilizando sintetizadores digitais, e aproveitou ao máximo sua liberdade artística ao compor e coproduzir o trabalho. Essa mudança também esteve presente na identidade visual da era. Michael abandonou o estilo mais colorido de “Thriller” e passou a adotar uma estética mais urbana e rebelde. Nesse contexto, destaca-se o trabalho dos estilistas Michael Bush e Dennis Tompkins, responsáveis por figurinos que se tornaram icônicos.
Michael incorporou elementos como jaquetas pretas de couro, fivelas e zíperes prateados, adereços de metal e detalhes militares, que ajudaram a moldar a imagem do cantor no final da década de 1980.”Bad” se tornou um dos discos mais vendidos de todos os tempos, com mais de 35 milhões de cópias comercializadas mundialmente. Das 11 faixas presentes no álbum, nove foram lançadas como singles. A seguir, conheça cada uma delas.
Bad
Faixa-título e 2º single oficial do álbum, “Bad” foi lançada em 7 de setembro de 1987 e apresenta uma mistura de dance-pop e funk. Michael compôs a música a partir da história de um garoto que foi enviado para estudar em uma escola particular, longe de onde morava. Ao retornar para sua cidade de origem, ele teria despertado a inveja dos antigos amigos que, revoltados com a mudança do jovem, se organizam para tentar matá-lo. O videoclipe completo de “Bad” tem 18 minutos, enquanto a versão reduzida possui 4 minutos e 20 segundos. Dirigido por Martin Scorsese, o vídeo é ambientado no Brooklyn e apresenta Michael vestido com uma roupa repleta de fivelas e adereços de metal, acompanhada por peças de couro, reforçando a imagem de durão e “bad boy”.
A música teve uma recepção positiva e se tornou um dos singles de Michael a alcançar o topo da Billboard Hot 100.
The Way You Make Me Feel
“The Way You Make Me Feel” é o terceiro single da era “Bad” e chegou ao público em 9 de novembro de 1987, trazendo elementos de R&B e funk. Michael apresentou a música ao lado de “Man in the Mirror” durante a cerimônia do Grammy Awards de 1988. No videoclipe, o cantor contracena com a modelo Tatiana Thumbtzen e passa boa parte da produção tentando chamar a atenção da personagem.
O single também foi um grande sucesso, alcançando a primeira posição da Billboard Hot 100.
Speed Demon
“Speed Demon” utiliza uma metáfora relacionada à velocidade para abordar a liberdade de Michael diante das pressões provocadas pela fama. A música surgiu após o cantor receber uma multa de trânsito enquanto se dirigia para um de seus compromissos. O episódio acabou sendo transformado em uma espécie de hino de rebeldia e autonomia, marcado pela ideia de não se submeter às expectativas colocadas sobre ele.
A canção recebeu um videoclipe, mas não é considerada um single oficial do álbum, e sim um lançamento independente.
Liberian Girl
“Liberian Girl” é o 9º e último single oficial da era “Bad” e foi lançado em 3 de julho de 1989. A faixa apresenta uma atmosfera mais romântica, com elementos de R&B, e busca homenagear a cultura africana, algo considerado incomum na década de 1980. A escolha do título, relacionado às mulheres liberianas, teve uma recepção positiva, fazendo com que muitas delas se sentissem representadas e valorizadas.
O videoclipe retrata um grande set de filmagens, reunindo diversas figuras famosas, como Steven Spielberg e John Travolta, entre outros, para participar da gravação.
Just Good Friends
Em “Just Good Friends”, Michael Jackson divide os vocais com o cantor Stevie Wonder. A letra aborda uma discussão entre dois amigos apaixonados pela mesma garota e utiliza o humor para explorar a ambiguidade de uma relação apresentada apenas como “amizade”, apesar da existência de intenções ocultas.
A música é a única faixa do álbum que não foi lançada como single.
Another Part of Me
“Another Part of Me” é o sexto single e foi lançado em 11 de julho de 1988. Seu videoclipe é uma compilação de apresentações de Michael Jackson durante a turnê “Bad” interpretando a música ao vivo durante shows realizados nas cidades de: Londres, Roterdã, Paris, Hamburgo e Cork.
A letra transmite um sentimento de união e possui uma energia contagiante, capaz de levar qualquer pessoa a dançar.
Man in the Mirror
“Man in the Mirror” é o quarto single e foi lançado em 9 de janeiro de 1988. A música foi escrita pela cantora Siedah Garrett, que também dividiu os vocais com Michael em “I Just Can’t Stop Loving You”. A canção foi apresentada pela primeira vez no Grammy de 1988, ao lado de “The Way You Make Me Feel”.
O videoclipe reúne imagens de momentos históricos e apresenta figuras conhecidas, como Martin Luther King e John Lennon. A letra aborda a transformação pessoal como ponto de partida para mudanças sociais, trazendo exemplos de desigualdade social e contando ainda com vocais de um coral de igreja. O single também alcançou o 1º lugar das paradas musicais.
I Just Can’t Stop Loving You
“I Just Can’t Stop Loving You” foi o 1º single da era “Bad” e chegou ao público em 20 de julho de 1987. Michael divide os vocais com Siedah Garrett, enquanto a letra explora a intensidade de um amor que se torna indispensável na vida de uma pessoa.
A escolha de Siedah Garrett aconteceu após a recusa de cantoras como Barbra Streisand e Whitney Houston e o incentivo do produtor Quincy Jones à cantora. Siedah estava inicialmente no estúdio apenas para fazer backing vocals, mas a equipe percebeu seu potencial e decidiu convidá-la para dividir a canção com Michael. O single também alcançou o número 1 nas paradas musicais.
Dirty Diana
“Dirty Diana” é o 5º single do álbum e foi lançado em 18 de abril de 1988. A música foi alvo de diversos boatos na tentativa de descobrir quem seria a “Diana” citada por Michael. A resposta é que Diana representa fãs que não deixavam o cantor em paz, invadindo sua privacidade.
A música também era uma das preferidas da Princesa Diana. Isso foi revelado durante um dos shows da turnê, quando a princesa compareceu à apresentação e perguntou a Michael se “Dirty Diana” faria parte da setlist. O cantor respondeu que não, pois considerava que seria uma ofensa. Diana, por sua vez, explicou que não se sentiria ofendida, pois adorava a música. O single também alcançou o primeiro lugar nas paradas musicais.
Smooth Criminal
“Smooth Criminal” é o sétimo single e chegou ao público em 24 de outubro de 1988. A canção alcançou o Top 10 da Billboard Hot 100 e se tornou uma das músicas mais marcantes da carreira de Michael Jackson. Michael escreveu a música para o filme “Moonwalker”, no qual interpreta a canção em uma sequência em que tenta salvar uma garota chamada Annie do vilão. Posteriormente, a produção transformou essa sequência em videoclipe, tornando-a a versão mais conhecida.
A letra conta a história de Annie, uma jovem atacada em um apartamento por um assassino. O famoso termo “Annie, are you okay?” faz referência ao manequim de treinamento de RCP estadunidense chamado Resusci Annie. O videoclipe também ficou marcado por elementos visuais característicos, como o famoso terno branco e azul usado por Michael e pela clássica introdução feita em um som abafado e com batimentos cardíacos acelerados do próprio cantor, criando uma atmosfera de tensão e adrenalina.
Leave Me Alone
“Leave Me Alone” é o oitavo single e foi lançado em 13 de fevereiro de 1989. O videoclipe se destaca por seu estilo inovador e diferente das demais produções da época. Dirigido por Jim Blashfield, o vídeo retrata, por meio de colagens, a carreira de Michael Jackson em um parque de diversões, fazendo alusões aos boatos divulgados pelos tabloides da época e reproduzindo essas histórias por meio de capas de jornais.
A letra faz duras críticas a esses veículos de comunicação ao abordar a exposição da vida pessoal do cantor e pedir que o deixem em paz. O videoclipe ganhou o Grammy de Melhor Videoclipe em 1990 e se tornou um dos grandes desabafos de Michael sobre a exposição de sua vida pelos tabloides.
A turnê e o relançamento
“Bad” também deu origem a uma turnê mundial, a primeira de Michael Jackson realizada como artista solo. A turnê aconteceu entre 1987 e 1989, passando por 15 países e contabilizando 123 shows, com uma média de público de 4,5 milhões de pessoas e um lucro de US$ 125 milhões na época.
Em 2012, em celebração aos 25 anos de lançamento, “Bad” ganhou uma nova edição, que reuniu as faixas originais e canções inéditas que ficaram de fora da versão lançada em 1987. Entre as faixas inéditas, o relançamento apresentou “Don’t Be Messin Around”, “I’m So Blue”, “Song Groove” (Aka Abortion Papers), “Free”, “Price of Fame”, “Fly Away”, “Al Capone” e “Streetwalker”. A nova edição também acrescentou remixes de “Bad” e “Speed Demon”, além de versões de “I Just Can’t Stop Loving You” gravadas em espanhol e francês.
“Bad” foi muito mais do que apenas um álbum. O trabalho consolidou o status de Michael Jackson como um dos maiores astros da música mundial após o fenômeno “Thriller” e mostrou a ampla criatividade que o cantor sempre teve. A era musical permanece como uma importante referência para artistas da cultura pop, influenciando produções tanto pela estética quanto pelos elementos sonoros. Nesse contexto, o fenômeno marcou a indústria musical ao impulsionar transformações e estabelecer novas direções para o setor.
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