Vitor Kley reflete sobre nova fase e novo EP – Entrevista Exclusiva

domingo, 26 de abril de 2026
por Arthur Rodrigues

Vitor Kley lançou nesta última sexta-feira (24) o EP “O Que Sobrou Das Pequenas Grandes Coisas“. O projeto, que chega como uma versão deluxe do álbum “As Pequenas Grandes Coisas“, marca o início de sua trajetória como artista independente após 10 anos em gravadora. Em conversa exclusiva com o Poptivo, Vitor reflete sobre o processo criativo deste projeto e a liberdade da nova fase independente. O cantor comenta ainda sua admiração pela trajetória de Jão, com quem já colaborou, e revela o que busca em futuras parcerias

 

Vitor Kley em imagem promocional. Imagem: Murilo Amancio / Divulgação.

Vitor Kley em imagem promocional. Imagem: Murilo Amancio / Divulgação.

Arthur Rodrigues:

Vitor, você descreveu esse projeto como a ‘última dança’ de um ciclo que começou lá em 2025. Depois de mergulhar fundo nas ‘Pequenas Grandes Coisas’, como é a sensação de olhar para esse Deluxe e sentir que, finalmente, a história está completa e pronta para o público?

Vitor Kley:

Muito orgulho! É muito massa ver que a gente conseguiu amarrar essa história, esse novo ciclo, do azul, da liberdade, do céu… Virar um artista independente, criar um estúdio aqui embaixo do meu quarto para poder gravar parte dele aqui; isso é maravilhoso. Não é sempre que acontece isso: da gente planejar uma coisa e conseguir realizar, até o fim, tudo o que foi pensado. Então, eu agradeço à minha equipe e às pessoas que estão do meu lado. É maravilhoso poder viver isso.

Arthur Rodrigues:

Neste trabalho, você assumiu as rédeas da produção e buscou uma sonoridade muito crua, com ‘gente tocando de verdade’. Qual foi o maior desafio de abrir mão das fórmulas de gravadora para imprimir suas digitais de forma tão pessoal em cada bumbo e cada guitarra desse EP?

Vitor Kley:

“Eu sempre gostei muito da música feita pelo ser humano. Num mundo em que a gente vive de IA e coisas plastificadas e descartáveis, acho muito interessante sair fora dessa corrente, remar para o lado oposto, sair fora dela.

Então, quando tu vem aqui e grava uma batera, o Guto Vieira timbrando a batera, testando cada caixa, testando os pratos, ligando a guitarra no amplificador, tocando, sentindo e testando os tipos de guitarra, é maravilhoso. Agradeço muito aos meus companheiros: Léo Beltrão, Peter Ferrara, Heitor Amaral, Guto Vieira, músicos que tocaram comigo nesse projeto. O Victor Amaral, um grande engenheiro de som… Todo mundo fez muita parte. Quando escuto uma parada ‘ser humano’, parece que volto um pouco no tempo; ao mesmo tempo, agrada mais ao meu gosto musical, no meu prazer e no meu amor de fazer as coisas. Gosto de tocar, gosto de cantar, de ver o ser humano ali

Sobre a gravadora: fica mais tranquilo de fazer a parada quando está no teu controle. Mas acho super necessário o tempo que a gente passou em gravadora, porque aprendi muita coisa, admiro as pessoas de lá e sou amigo delas até hoje. Mas chegou a hora de fazer a nossa história, experimentar do nosso jeito, testar sem pressa, sem ter horário do estúdio e fazer do jeito que estiver a fim. Fico feliz que a gente conseguiu imprimir isso nesse EP.”

Arthur Rodrigues:

O título sugere que essas músicas seriam ‘o que sobrou’, mas você disse que elas são tão boas quanto as que entraram no álbum principal. Em algum momento do processo você sentiu que essas faixas, na verdade, eram a ‘reserva de emergência’ da sua alma para aguentar o tranco da independência?

Vitor Kley:

“De certa forma, sim. A gente planejou o As Pequenas Grandes Coisas, toda essa fase azul, já pensando nesse deluxe. Pela experiência de outros álbuns, a gente já sabia que sobraria coisa e que queríamos gravar essas músicas, com excelência, igual ou melhores do que as do álbum. Porque, às vezes, o deluxe fica aquela coisa solta, demos, versões ao vivo, e a gente quis fazer valendo as músicas.

Eu sinto que, no caminho do arco-íris até chegar ao pote de ouro, fui andando, encontrando pedras preciosas no chão e fui botando no bolso. Quando cheguei nesse destino do pote de ouro, botei a mão no bolso e pensei: ‘Cheguei aqui, nesse lugar lindo, com o pote de ouro e ainda tenho essas pedras preciosas’ [risos].

E foi o mesmo com essas faixas: pedras preciosas para o mundo. Se elas são melhores, é questão de opinião, mas eu acho animal o som que a gente tirou, o papo das músicas e a levada que elas têm. No momento, acho elas tão boas quanto; acho que fica a critério de cada um. O EP tem músicas boas e no álbum principal também, sinto que elas se complementam.

Arthur Rodrigues:

Muitas estrelas do pop nacional hoje estão flertando com o som mais acústico e artesanal. Agora que você assumiu as rédeas da sua produção, você visualiza algum desses feats acontecendo nesse novo ciclo que está independente? Poderia ter algo com a Anitta, Iza, Luísa Sonza, Jão, Ludmilla?

Vitor Kley:

“Já tenho uma parceria com o Jão, ‘Dúvida’, uma música do A Bolha. É muito legal, uma das minhas favoritas. Acho que ‘O Amor é o Segredo’ seja a minha favorita, mas ‘Dúvida’ é uma grande música também. Amo o Jão, amo a pessoa que ele é; a gente tem uma conexão muito bonita. Apesar de a gente não se ver e não se falar tanto, quando a gente se vê é uma coisa muito bonita. Admiro muito a carreira e a pessoa dele.

Claro, não descarto nenhum feat, porque seria muito estranho falar sobre o futuro, se farei ou não, porque as coisas podem mudar. Admiro todos os artistas; acho que cada um, cada banda, tem o seu ‘porquê’. Acho que tem que existir uma conexão musical, uma conexão de vida, uma sincronia para fazer um feat. Já fiz alguns feats que não tinham sintonia e hoje, olhando para trás, não me agrada tanto. E os feats que tinham sintonia são maravilhosos. Então, acho que precisa ter um mínimo de sintonia para ter um sentido da gente colaborar.

E sobre a cena independente: é muito massa, estou olhando muito para esse pessoal que está surgindo. Às vezes é uma galera que não tem tanta exposição, então é muito bonito olhar para a arte da pessoa do jeito que ela é, da forma mais pura. Se houver uma conexão, então vamos fazer uma parada juntos. Dos nomes que você citou, com certeza: se rolar uma conexão de ter uma música boa e que faça sentido. As portas estão sempre abertas e nunca fechadas.

Arthur Rodrigues:

A capa traz essa imagem forte da criança diante de uma porta. Se esse Deluxe é o encerramento do ciclo, o que você acha que essa criança ‘do futuro’ está esperando encontrar do outro lado dessa porta agora que ela finalmente se abriu?

Vitor Kley:

Eu quero que ela encontre a liberdade, a felicidade e a maturidade, a gente vai crescendo, a vida é assim e essa capa diz muito sobre isso. Tenho que evidenciar o Rafael Correa, com quem tive essa ideia em uma conversa, e a Amanda [Emerim], que fez essa pintura à mão e a colagem com a foto do Eric, tudo é feito à mão.

Essa capa, com uma nuvem e o Eric… é a criança que fez a capa no APGC olhando para a última nuvem. Tenho uma conexão muito bonita com criança, acho que é a forma mais pura do mundo, a mais iluminada que vem ao mundo. Quis muito simbolizar, nesse projeto, a grandeza da nossa criança interior e o quanto a gente tem que aprender com elas. Por isso o As Pequenas Grandes Coisas: a sombra do Eric é maior que a sombra do eu adulto. E agora ela está olhando a última nuvem, a última dança, a porta se abre… dando tchau para esse projeto, para essa fase, pensando que agora chegou a hora de ir.

Fico feliz com a tua colocação de ser uma imagem forte de capa, porque esse é o nosso grande sonho. Sempre queremos fazer coisas fortes de alma, fortes de significado, tanto na parte artística de uma capa, quanto na parte de uma canção ou de um arranjo. Tanto no álbum como no deluxe, essas capas ficaram muito emblemáticas e acredito que ficarão por muito tempo.

 

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