Há 15 anos, Lady Gaga redefinia o pop com o álbum “Born This Way”

sábado, 23 de maio de 2026
por Alice Arruda

Há 15 anos, Lady Gaga lançava “Born This Way“, seu terceiro álbum de estúdio. Após ganhar destaque na indústria fonográfica em 2008 com “The Fame” e consolidar sua presença global no pop com “The Fame Monster”, a artista iniciou uma nova fase de sua carreira e fez do projeto um manifesto sobre liberdade, identidade e autoaceitação.

Lady Gaga em foto promocional do álbum "Born This Way". Imagem: Divulgação.

Lady Gaga em foto promocional do álbum “Born This Way”. Imagem: Divulgação.

Inspirado pelas experiências vividas durante a “The Monster Ball Tour” e pelas reflexões filosóficas e espirituais da cantora, o disco apresenta uma sonoridade eletrizante, marcada pelo synthpop.

Para desenvolver o álbum, Gaga reuniu colaboradores como RedOne, DJ White Shadow, Jeppe Laursen, DJ Snake, Mutt Lange, Brian May e Clarence Clemons. A produção ficou a cargo de Fernando Garibay, responsável pela sonoridade do projeto. No campo visual, a artista trabalhou com Nick Knight e, posteriormente, com o duo Inez & Vinoodh, que consolidou a estética da era.

A nova fase começou a ganhar forma no Video Music Awards de 2010 (VMA). Após vencer o prêmio de Vídeo do Ano com “Bad Romance”, Gaga subiu ao palco com o icônico vestido de carne e apresentou pela primeira vez o refrão de “Born This Way”. Em 11 de fevereiro de 2011, a faixa foi lançada e se tornou um fenômeno cultural, estreando no topo da Billboard Hot 100 e entrando para a história como a milésima música a alcançar a liderança da parada.

Muito além do sucesso comercial, “Born This Way” ganhou forte relevância cultural entre comunidades marginalizadas e a população LGBTQIA+. O videoclipe, dirigido por Nick Knight em parceria com a própria cantora, utilizou referências surrealistas inspiradas em Salvador Dalí e Francis Bacon para retratar o nascimento de uma nova raça humana livre de preconceitos.

Poucos dias depois, no Grammy Awards de 2011, Gaga chegou à premiação dentro de um enorme ovo translúcido e “nasceu” no palco durante a primeira performance oficial da era, em uma das apresentações mais marcantes da história da premiação.

Em abril de 2011, Gaga lançou “Judas”, o segundo single do álbum. A faixa gerou controvérsia por sua estética religiosa provocativa e pelo lançamento próximo à Páscoa. Conservadores e grupos cristãos criticaram o projeto, acusando a cantora de blasfêmia. Para Gaga, a música funcionava como uma metáfora sobre conflitos internos, relacionamentos destrutivos e redenção pessoal.

O videoclipe, dirigido pela cantora em parceria com Laurieann Gibson, combinava referências bíblicas e contemporâneas em uma estética visual ousada. Inspirada na história de Maria Madalena e Judas Iscariotes, a produção gerou intenso debate na mídia e entre o público. Apesar das polêmicas, “Judas” alcançou a décima posição na Billboard Hot 100 e se tornou um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira da artista.

O terceiro single, “The Edge Of Glory”, apresenta uma faceta mais emocional da cantora. A música nasceu após a morte do avô paterno de Gaga e transformou o luto em uma celebração da vida e do amor. Coproduzida por DJ White Shadow e Fernando Garibay, a faixa alcançou a terceira posição na Billboard Hot 100.

Inicialmente, o videoclipe seria dirigido por Joseph Kahn, responsável pela direção de “LoveGame” e “Eh Eh (Nothing Else I Can Say)”, ambos do álbum de estreia “The Fame”. Entretanto, divergências criativas levaram à sua saída, e o projeto acabou sendo assumido pela Haus of Gaga, equipe criativa da artista.

“You And I” foi escolhida como o quarto single do álbum e alcançou a sexta posição na Billboard Hot 100. Escrita em 2010 e produzida por Robert John Lange, a canção foi inspirada no relacionamento de Gaga com Lüc Carl e retrata a tentativa de recuperar um amor perdido. Composta em Nova York, no piano da casa de seus pais, a faixa reflete essa temática emocional.

O videoclipe, dirigido por Gaga e Laurieann Gibson, apresenta diversos alter egos da cantora, incluindo Jo Calderone e a sereia Yüyi. Gravado em Nebraska, contou com a participação do ator Taylor Kinney, que mais tarde viveria um relacionamento de cinco anos com a artista.

“Marry The Night” foi lançada como o quinto single do álbum. Escrita e produzida por Lady Gaga e Fernando Garibay durante a “The Monster Ball Tour”, a faixa reflete a conexão da cantora com Nova York e seu retorno às próprias origens. Apesar de não repetir o desempenho comercial dos singles anteriores, alcançando a 29ª posição na Billboard Hot 100, tornou-se uma das favoritas dos fãs ao longo dos anos.

O videoclipe, de quase 14 minutos e dirigido pela própria Gaga, retrata um dos momentos mais difíceis de sua carreira: a demissão de sua primeira gravadora. Em entrevista ao programa “Alan Carr: Chatty Man”, a artista afirmou que a produção simboliza um período marcante de sua vida e sua reconstrução pessoal e artística.

A grandiosidade da era também se refletiu na “Born This Way Ball”, terceira turnê mundial da cantora e a primeira, e até hoje única, a passar pelo Brasil. Em novembro de 2012, ela se apresentou no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, consolidando sua conexão com o público brasileiro. A turnê começou em abril de 2012, em Seul, na Coreia do Sul, e foi encerrada de forma antecipada em fevereiro de 2013, após um show em Montreal, no Canadá, devido a uma grave lesão no quadril da cantora causada pelas coreografias intensas.

Mais de uma década depois, “Born This Way” segue entre os álbuns mais importantes da música pop contemporânea. A era permanece como o período mais marcante da carreira de Lady Gaga, consolidando o maior sucesso de sua trajetória artística.

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