Há 15 anos, Lady Gaga redefinia o pop com o álbum “Born This Way”
Há 15 anos, Lady Gaga lançava “Born This Way“, seu terceiro álbum de estúdio. Após ganhar destaque na indústria fonográfica em 2008 com “The Fame” e consolidar sua presença global no pop com “The Fame Monster”, a artista iniciou uma nova fase de sua carreira e fez do projeto um manifesto sobre liberdade, identidade e autoaceitação.

Lady Gaga em foto promocional do álbum “Born This Way”. Imagem: Divulgação.
Inspirado pelas experiências vividas durante a “The Monster Ball Tour” e pelas reflexões filosóficas e espirituais da cantora, o disco apresenta uma sonoridade eletrizante, marcada pelo synthpop.
Para desenvolver o álbum, Gaga reuniu colaboradores como RedOne, DJ White Shadow, Jeppe Laursen, DJ Snake, Mutt Lange, Brian May e Clarence Clemons. A produção ficou a cargo de Fernando Garibay, responsável pela sonoridade do projeto. No campo visual, a artista trabalhou com Nick Knight e, posteriormente, com o duo Inez & Vinoodh, que consolidou a estética da era.
A nova fase começou a ganhar forma no Video Music Awards de 2010 (VMA). Após vencer o prêmio de Vídeo do Ano com “Bad Romance”, Gaga subiu ao palco com o icônico vestido de carne e apresentou pela primeira vez o refrão de “Born This Way”. Em 11 de fevereiro de 2011, a faixa foi lançada e se tornou um fenômeno cultural, estreando no topo da Billboard Hot 100 e entrando para a história como a milésima música a alcançar a liderança da parada.
Muito além do sucesso comercial, “Born This Way” ganhou forte relevância cultural entre comunidades marginalizadas e a população LGBTQIA+. O videoclipe, dirigido por Nick Knight em parceria com a própria cantora, utilizou referências surrealistas inspiradas em Salvador Dalí e Francis Bacon para retratar o nascimento de uma nova raça humana livre de preconceitos.
Poucos dias depois, no Grammy Awards de 2011, Gaga chegou à premiação dentro de um enorme ovo translúcido e “nasceu” no palco durante a primeira performance oficial da era, em uma das apresentações mais marcantes da história da premiação.
Em abril de 2011, Gaga lançou “Judas”, o segundo single do álbum. A faixa gerou controvérsia por sua estética religiosa provocativa e pelo lançamento próximo à Páscoa. Conservadores e grupos cristãos criticaram o projeto, acusando a cantora de blasfêmia. Para Gaga, a música funcionava como uma metáfora sobre conflitos internos, relacionamentos destrutivos e redenção pessoal.
O videoclipe, dirigido pela cantora em parceria com Laurieann Gibson, combinava referências bíblicas e contemporâneas em uma estética visual ousada. Inspirada na história de Maria Madalena e Judas Iscariotes, a produção gerou intenso debate na mídia e entre o público. Apesar das polêmicas, “Judas” alcançou a décima posição na Billboard Hot 100 e se tornou um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira da artista.
O terceiro single, “The Edge Of Glory”, apresenta uma faceta mais emocional da cantora. A música nasceu após a morte do avô paterno de Gaga e transformou o luto em uma celebração da vida e do amor. Coproduzida por DJ White Shadow e Fernando Garibay, a faixa alcançou a terceira posição na Billboard Hot 100.
Inicialmente, o videoclipe seria dirigido por Joseph Kahn, responsável pela direção de “LoveGame” e “Eh Eh (Nothing Else I Can Say)”, ambos do álbum de estreia “The Fame”. Entretanto, divergências criativas levaram à sua saída, e o projeto acabou sendo assumido pela Haus of Gaga, equipe criativa da artista.
“You And I” foi escolhida como o quarto single do álbum e alcançou a sexta posição na Billboard Hot 100. Escrita em 2010 e produzida por Robert John Lange, a canção foi inspirada no relacionamento de Gaga com Lüc Carl e retrata a tentativa de recuperar um amor perdido. Composta em Nova York, no piano da casa de seus pais, a faixa reflete essa temática emocional.
O videoclipe, dirigido por Gaga e Laurieann Gibson, apresenta diversos alter egos da cantora, incluindo Jo Calderone e a sereia Yüyi. Gravado em Nebraska, contou com a participação do ator Taylor Kinney, que mais tarde viveria um relacionamento de cinco anos com a artista.
“Marry The Night” foi lançada como o quinto single do álbum. Escrita e produzida por Lady Gaga e Fernando Garibay durante a “The Monster Ball Tour”, a faixa reflete a conexão da cantora com Nova York e seu retorno às próprias origens. Apesar de não repetir o desempenho comercial dos singles anteriores, alcançando a 29ª posição na Billboard Hot 100, tornou-se uma das favoritas dos fãs ao longo dos anos.
O videoclipe, de quase 14 minutos e dirigido pela própria Gaga, retrata um dos momentos mais difíceis de sua carreira: a demissão de sua primeira gravadora. Em entrevista ao programa “Alan Carr: Chatty Man”, a artista afirmou que a produção simboliza um período marcante de sua vida e sua reconstrução pessoal e artística.
A grandiosidade da era também se refletiu na “Born This Way Ball”, terceira turnê mundial da cantora e a primeira, e até hoje única, a passar pelo Brasil. Em novembro de 2012, ela se apresentou no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, consolidando sua conexão com o público brasileiro. A turnê começou em abril de 2012, em Seul, na Coreia do Sul, e foi encerrada de forma antecipada em fevereiro de 2013, após um show em Montreal, no Canadá, devido a uma grave lesão no quadril da cantora causada pelas coreografias intensas.
Mais de uma década depois, “Born This Way” segue entre os álbuns mais importantes da música pop contemporânea. A era permanece como o período mais marcante da carreira de Lady Gaga, consolidando o maior sucesso de sua trajetória artística.
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