Claudia Leitte no olho do furacão: MP-BA processa cantora por discriminação religiosa

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
por Alice Arruda

Claudia Leitte, evangélica convicta, acumula uma trajetória marcada por polêmicas e controvérsias geradas por seus posicionamentos e opiniões conservadoras. Amada por uma base fiel, a artista é vista com desconfiança e repúdio pela comunidade LGBTQIAPN+, que a critica por declarações homofóbicas ao longo dos anos. Agora, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) entra na briga, protocolando ação civil pública contra ela por intolerância religiosa durante o Carnaval de 2025, reacendendo debates sobre liberdade artística versus respeito às crenças alheias.

Claudia Leitte em foto publicada em suas redes sociais. Imagem: Instagram.

Claudia Leitte em foto publicada em suas redes sociais. Imagem: Instagram.

O estopim ocorreu nos circuitos carnavalescos, quando Claudia alterou a letra da clássica “Caranguejo“, trocando o trecho “Saudando a rainha Iemanjá” por “Eu canto meu rei Yeshua“. A mudança, interpretada como desrespeito às religiões de matriz africana, gerou acusações veementes de discriminação religiosa. De acordo com a Folha de São Paulo, o MP-BA pede a condenação da cantora e pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, com o valor revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos ou destinado a entidades que representem religiões de matriz africana.

Além da multa, foi exigido que a artista realize retratação pública e que a voz de “Se Um Dia Chorei” “se abstenha de praticar qualquer ato de discriminação religiosa, direta ou indiretamente, em suas apresentações públicas, entrevistas, produções artísticas ou redes sociais, especialmente aqueles que impliquem, supressão, alteração ou desvalorização de referências religiosas de matriz africana“. O episódio expõe as tensões entre expressões de fé evangélica e o sincretismo cultural do Carnaval baiano.

Esse não é o primeiro deslize de Claudia. Em 2008, quando estava grávida de seu primeiro filho, ela chocou em entrevista ao TV Fama. Questionada por Léo Áquila sobre a possibilidade de ter um filho gay, respondeu: “Eu adoro os gays, mas prefiro que meu filho seja macho“. O marido, Márcio Pedreira, reforçou: soltou um “Deus me livre” e disse que o herdeiro não seria homossexual porque seria “bem criado“. A fala consolidou sua imagem negativa junto à comunidade LGBTQIAPN+, que a repudia até hoje.

Em 2022, outro furor: stories no Instagram exibiam um abajur em formato de arma ao lado da Bíblia Sagrada, lidos como apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição, hoje inelegível, condenado e preso em regime fechado por crimes ligados a tentativa de golpe de Estado. O gesto ressoou entre evangélicos conservadores, mas ampliou o racha ideológico. Já em 2015, no Gshow, ao dar dicas de casamento, sugeriu que mulheres tenham relações sexuaismesmo cansadas ou sem vontade” para “manter a chama acesa“, reacendendo críticas sobre machismo velado.

Com suas opiniões polêmicas e controversas, Claudia Leitte reflete uma parcela conservadora da população brasileira, mas se distancia irremediavelmente de setores diversos da sociedade que o axé outrora uniu. Processada pelo Ministério Público da Bahia e rejeitada pela comunidade LGBTQIAPN+, sua trajetória expõe as fraturas profundas de um Brasil polarizado.

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