Dia Nacional da Visibilidade Lésbica: 5 cantoras brasileiras que cantam o amor entre mulheres

domingo, 30 de agosto de 2026
por Lucas de Melo

Em 29 de agosto, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Para marcar a data, hoje o Poptivo reúne cinco cantoras brasileiras que refletem em suas músicas diferentes formas de viver e cantar o amor entre mulheres.

Carol Biazin com a bandeira lésbica durante show. Imagem: Iris Alves/ Divulgação

Carol Biazin com a bandeira lésbica durante show. Imagem: Iris Alves/ Divulgação.

A música, muitas vezes, também é um grande espaço de identificação. Ao longo dos anos, diferentes artistas passaram a transformar suas próprias experiências, desejos e formas de amar em canções. Nesta seleção, o Poptivo reúne nomes de diferentes momentos da música brasileira que ajudam a ampliar essas narrativas e mostrar que falar sobre lesbianidade também é falar sobre paixão, desejo, liberdade e, principalmente, sobre a possibilidade de se reconhecer em uma música.

ANGELA RO RO

Antes que a visibilidade lésbica ocupasse o espaço que tem hoje na música brasileira, Angela Ro Ro já falava abertamente sobre seus desejos e experiências. A cantora assumiu publicamente sua lesbianidade ainda nos anos 1980 e enfrentou episódios de violência e preconceito ao longo da vida. Em 1981, chegou a conceder uma entrevista ao jornal lésbico-feminista “Chanacomchana”, em que falou sobre sexualidade, repressão e sua relação com o público

Em suas músicas, o amor entre mulheres também ganhou espaço. “Cheirando a Amor”, lançada em seu primeiro álbum, em 1979, aborda diretamente o preconceito vivido por mulheres lésbicas. A faixa se soma a uma obra marcada pela intensidade dos afetos e ajuda a entender por que Angela Ro Ro se tornou uma referência para tantas mulheres lésbicas na música brasileira. Mesmo após sua morte, em setembro de 2025, sua trajetória permanece como parte importante da história da visibilidade lésbica no país.

Músicas para conhecer ou ouvir novamente: “Cheirando a amor”, “Came e case” e “Tola foi você”

Cantora Angela Ro Ro. Imagem: Divulgação.

Cantora Angela Ro Ro. Imagem: Divulgação.

ZÉLIA DUNCAN

Com mais de quatro décadas de carreira, Zélia Duncan é um dos nomes que ajudam a construir a presença lésbica na música brasileira. A cantora já falou publicamente sobre o processo de compreender e assumir sua sexualidade, marcado por dificuldades para uma geração que cresceu em um contexto ainda mais repressivo. Em entrevista, Zélia contou que chegou a acreditar que estar apaixonada por mulheres era uma doença, antes de construir uma relação de orgulho com sua identidade.

Essa trajetória também atravessa sua produção artística. Em 2023, ao falar sobre suas composições, Zélia afirmou que, mesmo sem ser explícita no início da carreira, nunca fingiu ser quem era. Seu percurso na música mostra a importância de uma artista poder ocupar esse espaço e falar de sua própria vida sem precisar escondê-la.

Músicas para conhecer ou ouvir novamente: “Pagu”, “Catedral” e “Tudo sobre você”.

Cantora Zélia Duncan. Imagem: Divulgação.

Cantora Zélia Duncan. Imagem: Divulgação.

ANA GABRIELA

Ana Gabriela encontrou na música uma maneira de transformar experiências amorosas entre mulheres em histórias que podem ser compartilhadas por outras pessoas. A cantora já contou que se apaixonou por uma menina ainda na infância e que levou anos até conseguir conversar sobre sua sexualidade com a mãe.

Essa vivência aparece de maneira especialmente direta em “Acho Que Te Amo”, faixa composta pela própria artista e lançada em 2020. A música transforma a descoberta de um novo sentimento em uma declaração de amor, sem esconder que a pessoa desejada é uma mulher. Anos depois, Ana Gabriela continua refletindo sobre esse lugar: em entrevista publicada em 2026, afirmou que passou a entender que queria ser para outras garotas a referência que ela própria procurava enquanto se descobria.

Músicas para conhecer ou ouvir novamente: “No escuro”, “Acho que te amo” e “desnecessário”

Cantora Ana Gabriela. Imagem: Divulgação.

Cantora Ana Gabriela. Imagem: Divulgação.

CAROL BIAZIN

Para Carol Biazin, cantar sobre o amor entre mulheres também se tornou uma forma de falar sobre liberdade. A artista já contou que recebeu cartas de fãs que encontraram coragem para assumir seus relacionamentos a partir de suas músicas, experiências que serviram de inspiração para “Te Amo Sem Culpa”.

A faixa ganhou um significado especial justamente por propor uma narrativa diferente daquela que costuma aparecer quando histórias LGBTQIA+ chegam à música: em vez de se concentrar na dor, Carol escolhe celebrar um amor vivido por inteiro. Assim, a música se transforma não apenas em uma declaração para outra pessoa, mas também em uma afirmação de amor-próprio e de liberdade.

Músicas para conhecer ou ouvir novamente: “Te amo sem culpa”, “A dona dos futuros versos” e “Bagunça”

Cantora Carol Biazin. Imagem: Divulgação.

Cantora Carol Biazin. Imagem: Divulgação.

MAHMUNDI

Com uma sonoridade que transita pelo pop e R&B, Mahmundi também coloca diferentes formas de afeto no centro de suas composições. A cantora e produtora, que já falou publicamente sobre ser uma mulher lésbica, constrói em suas músicas narrativas de desejo e intimidade sem necessariamente transformar sua sexualidade no único assunto de sua obra.

Em “Qual É A Sua?”, lançada em 2018 no álbum “Para Dias Ruins”, Mahmundi canta sobre a expectativa diante de alguém que desperta seu interesse. A música brinca com a troca de olhares, a atração e a vontade de descobrir se o sentimento é correspondido. É justamente nessa naturalidade que a faixa ganha espaço na lista: uma história de desejo entre mulheres pode ser também simplesmente uma história de desejo, com flerte, expectativa e aquele frio na barriga de não saber o que a outra pessoa está pensando.

Músicas para conhecer ou ouvir novamente: “Qual é a sua?”, “Leve” e “Irreversível”

Cantora Mahmundi. Imagem: Divulgação.

Cantora Mahmundi. Imagem: Divulgação.

Para além de apenas celebrar a data, conhecer essas histórias também é reconhecer a importância de diferentes vivências ocuparem espaços na música brasileira. Que essas canções continuem encontrando novas ouvintes e ajudando outras mulheres a se enxergarem, se descobrirem e se sentirem representadas.

Você também vai querer ver
voltar