Djavan lança “Improviso”, um mergulho autoral nas nuances do amor
Djavan lançou nesta terça-feira (11) seu novo álbum, intitulado “Improviso”. O disco, com 12 faixas e 52 minutos de duração, reafirma o talento e a sensibilidade de um dos maiores nomes da música brasileira. Entre as canções, destaca-se uma melodia composta originalmente para Michael Jackson em meados da década de 1980, resgatada e finalmente gravada pelo artista.
A direção criativa do projeto é assinada por Giovanni Bianco, que imprime uma identidade visual refinada e contemporânea à obra.

Djavan em foto promocional para o álbum “Improviso”. Imagem: Divulgação.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Djavan falou sobre o processo criativo e a decisão de conduzir o trabalho de forma integral. Com exceção de “O Vento”, regravação de uma canção de Gal Costa, todas as outras 11 faixas foram escritas e produzidas exclusivamente por ele, que também assina a direção artística.
Sobre isso, explicou: “É algo que já vem de algum tempo. Foi uma necessidade que foi surgindo.”
O cantor também refletiu sobre o cuidado com os arranjos, parte essencial de sua estética musical: “Às vezes, você chama uma pessoa talentosa, que você gosta do que a pessoa faz, para um arranjo de uma música. O cara faz algo lindo, mas inadequado para a canção. Como dizer não para o sujeito? Algumas vezes eu gravei arranjos com os quais não estava totalmente satisfeito, só para não ter aquela saia justa.”
Ao falar sobre a decisão de trabalhar sozinho, Djavan foi enfático: “Comecei a ter dificuldade com pessoas que estavam produzindo meu disco e pensavam radicalmente diferente de mim. […] Chegou um momento no qual pensei: ‘Não quero mais produtor, nem arranjador’. Aí passei a fazer tudo.”
Com quase 50 anos de carreira, Djavan afirma que o método de composição segue essencialmente o mesmo, ainda que sua forma de criar tenha evoluído ao longo do tempo: “No início, eu fazia letra e música ao mesmo tempo. Depois passei a compor a melodia primeiro e escrever a letra depois. […] De uns dez discos para cá, tenho feito a música e, em seguida, a letra. É um processo tranquilo, embora muita gente ache complicado e uma loucura — ‘como é que você consegue?’ —, mas eu já estou nisso há muito tempo [risos].”
“Improviso” é uma celebração das múltiplas faces do amor — o inocente, o libertário, o profundo e o que dói. Questionado sobre como consegue abordar o tema sem se repetir, ele afirmou: “Em primeiro lugar, é evidente que quem fala de amor em nuances tão distintas não está falando exatamente de si. […] A grande graça da composição é a invenção: criar situações fora do seu universo, com as quais as pessoas se identifiquem ou não. Essa é a grande brincadeira. Eu gosto de fazer isso.”
Sobre a conexão de suas canções com o público, Djavan pontuou: “Não é uma composição confortável, porque eu não sou um expert em amor. Sou um curioso e observo muito as pessoas. […] O amor é dinâmico, impossível de ser repetido. Portanto, escrever sobre amor não é se repetir jamais. É preciso coragem para se jogar nesse risco — que faz parte da minha vida. O risco é o que move, o que leva para frente e faz você evoluir.”
Entre os destaques do álbum está “Sonhar”, faixa que reflete sobre “interceder sem interferir“. O artista explicou: “Para quem tem filhos, significa cuidar para que não tropecem e trilhem o melhor caminho. […] O mundo está em guerra, e isso toca na falta de amor no mundo, nas relações entre pais e filhos, amigos, pessoas. É sonhar para que tudo dê certo, para que tudo se reorganize e a gente crie um mundo novo, onde o sonho seja leve, maravilhoso e positivo.”
Outro momento marcante é “Pra Sempre”, cuja melodia foi criada a pedido de Quincy Jones para Michael Jackson durante as gravações do icônico álbum “Bad“. Quase quatro décadas depois, Djavan decidiu finalizá-la e incluí-la no disco: “Eu até levei, mas oito meses depois, quando eles já estavam mixando o disco. […] Meus filhos, Flávia e Max, sempre insistiram para eu gravar essa música. […] Agora, após tanta insistência, resolvi escrever a letra e gravei.”
Sobre sua relação com o Rei do Pop, Djavan relembrou: “Quincy tinha uma editora chamada Rashida Music, e eu tinha uma chamada Capim, que era administrada por eles em Los Angeles. […] Era uma pessoa acessível, maravilhosa, doce. Michael tinha um faro e um olhar incríveis.”
Com “Improviso”, Djavan reafirma sua genialidade como compositor, intérprete e produtor — um artista em plena harmonia com sua arte. O álbum é um retrato maduro, poético e sensível de quem, após quase meio século de carreira, continua encontrando novas formas de emocionar o público.
Mais do que um lançamento, “Improviso” é a prova de que Djavan permanece um dos maiores contadores de histórias da música brasileira — um mestre em transformar emoção, experiência e risco em arte.
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Tá na boca do povo:



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