Honesta e intensa, Jessie J lança “Don’t Tease Me With A Good Time”
Após sete anos, Jessie J finalmente lançou nesta sexta-feira (28) seu novo álbum de estúdio, “Don’t Tease Me With A Good Time” — um projeto emocionalmente intenso, com 16 faixas que transitam entre pop, R&B e soul. O disco reúne os singles “No Secrets“, “Living My Best Life“, “Believe In Magic” e “H.A.P.P.Y“, além da comovente “I’ll Never Know Why“, que ganhou videoclipe. Com 49 minutos de duração, este é o primeiro trabalho da cantora como artista independente, marcando uma fase de autonomia criativa e vulnerabilidade radical.

Jessie J em foto publicada em suas redes sociais. Imagem: Instagram.
Nos últimos anos, Jessie atravessou um turbilhão pessoal. Em 2020, ficou temporariamente surda e incapaz de andar em linha reta. Em 2021, desenvolveu nódulos e refluxo ácido que tornavam o canto doloroso e, mais tarde, recebeu o diagnóstico da doença de Ménière. Ainda naquele ano, sofreu um aborto espontâneo. Em 2024, tornou público o diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Já em 2025, revelou ter enfrentado um câncer de mama, cancelou uma turnê, passou por cirurgia e, posteriormente, anunciou a remissão total — embora ainda esteja em processo de recuperação.
É nesse cenário que “Don’t Tease Me With A Good Time” nasce: um álbum que mergulha na dor, na cura e nas frestas de alegria que resistem mesmo nos momentos mais sombrios. Os vocais de Jessie, impecáveis como sempre, conduzem letras francas e confessionais que tornam o disco um relato honesto de sobrevivência.
A jornada começa com “Feel It On Me“, uma introdução desarmada e sem refrão comercial, que abre com os versos: “Caindo dos meus olhos/Tenho que curar isso na escuridão/Então apague todas as luzes”. A faixa fala sobre como os problemas não resolvidos de um parceiro acabam recaindo sobre ela.
Na sequência, “I Don’t Care” surge como um dos pontos altos do álbum. A canção funciona como um discurso direto a todos os que foram manipulados por abusadores e narcisistas — um momento catártico que se recusa a suavizar a dor. Ela canta: “Você não pode me dizer nada/ Não dá para consertar com amor“.
O primeiro single, “No Secrets“, expõe o trauma do aborto espontâneo e outras feridas antes que a imprensa pudesse distorcê-las. Na letra, ela canta: “Eu perdi meu bebê/Mas o show tem que continuar, certo?“.
Em “If I Save You“, Jessie reflete sobre codependência e o peso de tentar resgatar os outros à custa de si mesma: “Limites foram e vieram/Minha empatia era forte, eu estava errada, por fazer demais“.
O terceiro single, “Believe In Magic“, aparece acompanhado do interlúdio “Joy“. Em “Believe In Magic“, Jessie fala sobre esperança: “Pode ser real/ Com a vida que você imagina/ Se você acreditar na magia“. No interlúdio, ela complementa: “Você é alegria/ Tanta alegria/ Então abra seu coração“.
“Comes In Waves” é um dos momentos mais devastadores do álbum, abordando diretamente a perda da gravidez: “Vem em ondas/ Como se eu estivesse me afogando em um amor que anseio e que você me deu/ E eu odeio/ O quanto sinto falta do futuro que nunca construímos“.
A comovente “I’ll Never Know Why“, quinto single, é dedicada a Dave — seu amigo e ex-segurança que cometeu suicídio em 2018. Ela questiona: “Como você pôde dizer adeus sem dizer adeus?“.
“Complicated” é uma das faixas mais autobiográficas, estruturada como uma linha do tempo que revisita anos de constrangimentos públicos e dores privadas. Jessie resume: “Ooh, essa é a vida para você/Uma montanha-russa, nem todo mundo anda com você”.
“Sonflower” traz leveza com uma metáfora fofa entre “girassol” e “filho”, revelando um desejo materno sincero: “Eu sou eu quando estou com você/É tudo o que você faz/Você me mantém fiel à minha verdade/Eu ganho quando perco“.
Em “California“, ela canta sobre sobreviver aos altos e baixos da vida e da indústria: “Ganhei algumas/ Perdi outras/ Pelo menos fiz do meu jeito/ Enfrentando os altos e baixos“.
O segundo single, “Living My Best Life“, celebra a decisão de priorizar alegria: “Chega de lágrimas/ Não vou perder tempo ficando triste esta noite“.
“H.A.P.P.Y“, quarto single, é um hino despretensioso à felicidade, resumido em “Vou rir até chorar“.
Com “Colourful“, Jessie entrega uma performance vocal sensual: “Com fome/ Elegante/ Coloque suas mãos na minha bunda“.
“Threw It Away” revisita seu período em Los Angeles, quando foi chamada de “querida” e viu seu amor ser descartado. Ela lamenta:
“Eu me entreguei de corpo e alma/ Foi aí que a coisa ficou desconfortável/ Chega de ‘querida’ de segunda a domingo/ Ah, você tem uma nova namorada, é?/ Ok.”.
“For This Love” mergulha na luxúria, guiada por versos como “Me ajoelho por este amor” e “Prove ao meu corpo que você sabe o que fazer“.
O disco se encerra com “The Award Goes To“, que transforma a metáfora de uma premiação em despedida pessoal. Sobre um instrumental minimalista, ela declara: “Tenho lutado minhas guerras/Mas estou ponderando minhas palavras/Estou pronta para perder, o prêmio vai para você”. Jessie ainda brinca com ironia ao afirmar que ousa respirar “não por você, mas por mim”.
Com “Don’t Tease Me With A Good Time“, Jessie J renasce como artista independente, assumindo controle narrativo e artístico. É um álbum que encara a fama, a doença, a perda e a resiliência com crueldade e beleza — e que, acima de tudo, reafirma sua força como compositora e uma das vozes mais poderosas de sua geração.
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