Morre Manoel Carlos, ícone da teledramaturgia brasileira
Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, o autor Manoel Carlos, um dos nomes mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira. Conhecido carinhosamente como Maneco, o escritor estava sob cuidados médicos desde julho de 2025. A causa da morte não foi divulgada.

O autor Manoel Carlos, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. Imagem: TV Globo/Estevam Avellar.
O velório será restrito a familiares e amigos. Nos últimos anos, Manoel Carlos enfrentava um quadro de saúde delicado, agravado pela doença de Parkinson, condição neurodegenerativa que compromete principalmente as funções motoras. Recluso, vivia com a família em uma cobertura no Leblon, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.
O autor deixa a esposa, Elisabety, e duas filhas: a produtora Júlia Almeida, responsável por preservar e gerir o legado artístico do pai, e a roteirista Maria Carolina, com quem dividiu a criação de diversas obras ao longo da carreira.
Nascido em São Paulo, em 1933, Manoel Carlos costumava se definir como carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório. Ainda jovem, passou a frequentar a Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, onde participava de debates sobre teatro e literatura. Aos 17 anos, deu início à trajetória artística como ator na TV Tupi.
Sua atuação no programa Grande Teatro Tupi, dedicado à adaptação de clássicos teatrais para a televisão, rendeu reconhecimento e o prêmio de ator revelação. Com o tempo, Maneco ampliou sua atuação nos bastidores, passando a escrever, dirigir e desenvolver seus próprios projetos.
Em 1952, apenas um ano após ingressar na televisão, escreveu sua primeira novela, “Helena“, inspirada na obra homônima de Machado de Assis, exibida pela TV Paulista. Ao longo da carreira, assinou 18 novelas, consolidando-se como um dos autores mais prolíficos e influentes do país.
Após uma breve passagem pela TV Globo, Manoel Carlos retornou à emissora em 1978, onde escreveu “Maria, Maria“. Três anos depois, alcançou o horário nobre com “Baila Comigo“, produção que marcou o surgimento da primeira Helena de sua galeria de protagonistas, vivida por Lilian Lemmertz.
As Helenas tornaram-se a marca registrada do autor. Inspiradas na figura mitológica de Helena de Troia, símbolo de força e autonomia feminina, essas personagens atravessaram décadas da televisão brasileira. Ao todo, foram nove protagonistas com esse nome, interpretadas por Lilian Lemmertz, Maitê Proença, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Julia Lemmertz.
Profundamente ligado ao Rio de Janeiro, Manoel Carlos transformou a vida da burguesia carioca em pano de fundo para discutir questões sociais relevantes. Suas novelas abordaram temas como alcoolismo, etarismo, homofobia, câncer, violência doméstica e racismo, sempre com olhar humano e sensível.
Entre suas obras mais lembradas estão “Por Amor“, “Mulheres Apaixonadas“, “Laços de Família” e “A Presença de Anita“. Ao longo da carreira, foi premiado seis vezes com o Troféu Imprensa, além de outras honrarias.
Sua despedida da televisão ocorreu com “Em Família“, novela exibida pela TV Globo e protagonizada por Julia Lemmertz. Apesar de seguir a estrutura de sucessos anteriores, a produção não obteve boa recepção do público e marcou o fim da trajetória do autor na TV.
Na vida pessoal, Manoel Carlos enfrentou perdas profundas. Casou-se duas vezes. Em 1972, perdeu a primeira esposa, Maria de Lourdes, que morreu aos 36 anos após cair de uma escada. Dos cinco filhos que teve, perdeu três: o ator e dramaturgo Ricardo Almeida, vítima de complicações da Aids em 1988; o diretor Manoel Carlos Júnior, que morreu em 2012 após um ataque cardíaco; e Pedro Almeida, estudante de teatro, falecido em 2014, aos 22 anos, em decorrência de um mal súbito.
Com sua morte, a televisão brasileira se despede de um autor que transformou emoções cotidianas em narrativas memoráveis e ajudou a moldar a identidade da teledramaturgia nacional.
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Tá na boca do povo:



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