Zara Larsson é capa da Paper e fala sobre “Midnight Sun: Girls Trip” e feminismo
Zara Larsson estampa a nova edição da revista Paper e, na entrevista, fala sobre o álbum de remixes “Midnight Sun: Girls Trip”, a pressão das redes sociais e feminismo.

Zara Larsson é capa da revista Paper. Imagem: Julia and Vicent/Divulgação.
A cantora explicou que o novo projeto nasceu da vontade de expandir, de forma consciente, o ciclo criativo iniciado com “Midnight Sun”, lançado em setembro de 2025. Segundo Zara, a proposta não era apenas acrescentar faixas, mas construir uma continuação com identidade própria.
“Eu sabia que queria fazer uma edição deluxe de verdade. Já lancei versões deluxe de Poster Girl antes, por exemplo, mas nunca me pareceu algo intencional ou com um propósito definido. E eu realmente quero fazer a melhor versão possível. Eu amo Midnight Sun. Acho que nunca me importei tanto com um projeto na minha vida quanto com Midnight Sun. É meu xodó. Eu realmente participei muito da criação desse álbum. Tipo, pela primeira vez, eu escrevi todas as músicas, participei da criação dos visuais. Eu simplesmente sentia que precisava que o mundo de Midnight Sun continuasse vivo por um tempo e que as pessoas pudessem fazer parte dele, especialmente até o verão. Porque esta também é a primeira vez que as pessoas poderão curtir o álbum de verdade no verão.”
O álbum de remixes reúne participações exclusivamente femininas e traz novas versões de todas as faixas. Entre as convidadas estão Shakira, Tyla e Kehlani. Zara Larsson contou que a produção começou em janeiro e surgiu a partir de convites feitos a artistas com quem já mantinha proximidade.
“Começamos a entrar em contato com pessoas que eu amo e que são minhas amigas. Entramos em contato com a Kehlani bem no início, e com a Eli, porque eu já tinha visto a Eli no meu feed do TikTok. E eu pensei: “Essa garota é engraçada, muito talentosa”. E com a Tyla, a gente também estava saindo. Eu disse: ” Ei, olha, eu realmente quero muito você em ‘Hot and Sexy'”. E ela respondeu: “Eu quero estar em ‘Hot and Sexy’!”. Porque quando você está na internet e vê o que as pessoas estão dizendo, acho que ela ficou realmente convencida pelo jeito que as pessoas estavam dizendo: “Eu quero essas duas garotas em uma música”. E isso é muito legal, torcendo por nós.”
Ao falar sobre o ambiente digital, a artista reconheceu que acompanha com cautela a oscilação constante de aprovação e rejeição que marca as redes sociais.
“Lembro que, mesmo estando na turnê com o Tate (McRae), as pessoas estavam me elogiando, me promovendo. Deixa eu digerir isso, porque sei que não vai durar para sempre. Um dia vou acordar e ser superestimada. E estou muito ansiosa por esse dia. Mesmo agora, estou começando a receber comentários do tipo: “Estou tão cansado dessa música”, quando se trata de “Midnight Sun”.”
Apesar disso, Zara disse que prefere não pautar sua trajetória pela reação alheia e defendeu uma relação mais autêntica com o próprio trabalho.
“No fim das contas, na verdade, não é da minha conta, e tudo o que posso fazer é compartilhar isso com o máximo de pessoas possível da forma mais autêntica que eu conseguir, que é simplesmente sendo eu mesma. E acho que pessoas muito negativas… tenho muita dificuldade em imaginar quem são. Tipo, em vez de espalhar tudo isso, por que você não vai desenhar um quadro, compor uma música, fazer uma dança?”
A entrevista também abriu espaço para uma reflexão sobre identidade, poder e o impacto da presença feminina em sua vida profissional. Zara afirmou que, nos últimos anos, fez um movimento deliberado de cercar-se de mulheres em diferentes áreas de sua equipe criativa e de turnê.
“Antes de mais nada, sou uma mulher. Comecei como menina e agora sou uma mulher. Sinto isso na maneira como vejo as coisas. Sinto isso na maneira como me comunico com as pessoas. Mas sinto que sou realmente empoderada por pessoas como minhas amigas, até mesmo as pessoas com quem trabalho e que convivem comigo.
E acho que uma das maiores mudanças que fiz nos últimos 10 anos da minha carreira foi ter muitas mulheres ao meu redor. Fiz isso de forma muito consciente. Quero sair em turnê e quero ter uma gerente de turnê mulher. Quero que a gerente de produção seja mulher. Quero que minha banda seja formada por mulheres. Quero que as dançarinas sejam mulheres. Quero que a maioria das pessoas com quem componho sejam mulheres. Se você for gay, pode ficar.
Como mulheres, somos tão capazes e inteligentes. E acho que quando você se cerca de outras mulheres, não precisa se explicar demais. Por que as pessoas estão se conectando com Midnight Sun? Acho que é porque me identifico muito com o álbum e me permiti ser muito livre nas sessões de composição, porque fiz este disco com MNEK, Margo e Helena. Finalmente, senti que não estava mais em ambientes dominados por um monte de homens que eu mal conhecia.”
Ao abordar feminismo e música pop, a cantora afirmou que não pretende separar convicções pessoais de sua produção artística. Para ela, a música também pode ser um espaço de posicionamento e debate.
“Grande parte da cultura pop é comercial e visa atingir as grandes massas e o público em geral. Mas, voltando aos meus trabalhos recentes, acho que os melhores artistas, ou simplesmente as pessoas mais interessantes da história, são bastante polarizadores. Algumas pessoas podem me considerar o diabo, enquanto outras podem achar muito importante falar sobre feminismo, saúde da mulher, Palestina ou assuntos que assustam outras pessoas. Sinto que isso faz parte de quem eu sou e do que acredito. Não quero jamais sentir que não posso ser eu mesma em nome da música pop.”
Ao citar Beyoncé como referência, Zara destacou a força de artistas que conseguem conciliar impacto cultural, identidade e posicionamento.
“Assim como a Beyoncé. Ela diz muito em sua música, ao longo de sua carreira, desde o Lemonade: ” Vou ser a melhor artista que eu puder ser”. Sinto que algo aconteceu durante a produção daquele álbum, e agora ela está fazendo muito pela cultura, pelo seu povo, pelas mulheres, pelas mulheres negras, pela comunidade LGBTQ+, através da sua música. Acho que adoraria incorporar isso ainda mais na minha música e arte, em quem eu sou, porque tenho muitas opiniões sobre as coisas. Todos nós temos. Só não tenho medo de uma conversa. E quero conversar. Quero que as pessoas discutam sobre as coisas.”
Na parte final da entrevista, a artista falou sobre feminilidade, liberdade e a complexidade de ser mulher sob o olhar público.
“Sou apenas uma mulher vivendo no mundo, então, de certa forma, me sinto parte do patriarcado. Quero me sentir bonita, quero fazer um show, quero me maquiar e quero parecer um pouco sexy. Mas também acho que isso é da natureza humana, não é? Acho que as mulheres são realmente lindas e sensuais. Mas também acho que a falha da sociedade é que as pessoas que não respeitam as mulheres as objetificam ou as veem como uma coisa só: sensuais.
Porque você pode ser muito inteligente, muito bonita, muito engraçada e muito criativa. Tipo, somos tão multidimensionais, e acho que é por isso que também é bom me cercar de mulheres, porque sabemos disso. Acho que uma grande parte da minha personalidade é ser boba. Eu adoro me divertir. Esse é o propósito da vida para mim, me divertir o tempo todo e ser boba. Mas isso não significa que eu não seja uma pessoa séria. Ainda tenho coisas que considero importantes nisso, mas eu só quero me divertir. As mulheres conseguem enxergar essa complexidade.”
Mais do que uma entrevista pontual, a conversa com a revista Paper revela que Zara Larsson é uma artista interessada em prolongar o alcance de seu trabalho enquanto reafirma, com clareza, as ideias que orientam sua trajetória.
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