Bad Bunny transforma o Super Bowl em manifesto latino
Bad Bunny protagonizou um dos shows de intervalo mais simbólicos e politicamente contundentes da história do Super Bowl. Neste domingo (8), o artista porto-riquenho assumiu o palco do maior evento esportivo dos Estados Unidos e transformou seus cerca de 13 minutos de apresentação em uma celebração intensa da cultura latino-americana, marcada por identidade, representatividade e posicionamento.

Bad Bunny foi a grande atração do Super Bowl 2026. Imagem: GE TV/Reprodução.
Vencedor do Grammy de Álbum do Ano com “Debí Tirar Más Fotos“, Bad Bunny fez história ao se tornar o primeiro artista a comandar o show do intervalo com um repertório totalmente em espanhol. A performance reuniu seus principais sucessos e conduziu o público por referências culturais, sociais e políticas que atravessam sua obra.
A abertura ficou por conta de “Tití Me Preguntó“, um dos maiores hits de sua carreira, presente no álbum “Un Verano Sin Ti“, o disco mais reproduzido da história do Spotify, com mais de 20 bilhões de streams. A encenação apresentou cenários inspirados na cultura latina, com destaque para um canavial ocupado por figurantes usando chapéus de palha em alusão aos jíbaros, trabalhadores rurais de Porto Rico. O acessório, recorrente na estética atual do cantor, reforçou o vínculo com suas origens.
Na sequência, ao som de “Yo Perreo Sola”, Bad Bunny subiu ao telhado da icônica casita, elemento central da era “Debí Tirar Más Fotos”. O espaço se transformou em uma pista de dança ao reunir celebridades como Jessica Alba, Pedro Pascal, Karol G, Young Miko, David Grutman, Cardi B e Alix Earle. Em um momento coreografado, o telhado cedeu, em uma encenação que ampliou o impacto visual da apresentação.
O espetáculo ganhou novos contornos com a entrada de Lady Gaga, que interpretou uma versão em salsa de “Die With a Smile“, sucesso em parceria com Bruno Mars e a única canção em inglês do set. Bad Bunny retornou em seguida para dividir o palco com Gaga em “BAILE INoLVIDABLE“, antes de seguir com “NUEVAYoL“.
Outro ponto alto veio com a participação de Ricky Martin, que se juntou ao compatriota em “LO QUE LE PASÓ A HAWAii“, faixa de forte teor político e uma das mais emblemáticas do álbum vencedor do Grammy.
Em uma cena carregada de simbolismo, Bad Bunny entregou a um menino o troféu do Grammy recebido na semana anterior, gesto que representou a entrega simbólica da premiação à criança que ele um dia foi.
O viés político voltou a ganhar destaque quando o cantor subiu em um poste para interpretar “El Apagón“, canção que denuncia os recorrentes apagões que afetam Porto Rico. Em seguida, já no gramado, o artista promoveu uma aula simbólica de geografia e identidade continental ao reafirmar que a América corresponde a todo o continente, e não apenas aos Estados Unidos. Após dizer “Deus abençoe a América”, Bad Bunny citou os nomes de todos os países americanos, incluindo o Brasil, enquanto dançarinos desfilavam com as bandeiras das nações do continente.
O encerramento ficou por conta de “DtMF“, faixa título de “Debí Tirar Más Fotos“, indicada a Gravação do Ano e Canção do Ano no Grammy Awards 2026. Para concluir, um outdoor exibiu a mensagem que sintetizou o espírito da apresentação:
A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.
Mais do que um show, Bad Bunny entregou um manifesto cultural, político e afetivo, reafirmando sua posição como um dos artistas mais relevantes e influentes da música global contemporânea.
Setlist do show do intervalo de Bad Bunny no Super Bowl:
Tití Me Preguntó
Yo Perreo Sola
EoO
Voy a Llevarte Pa PR
Monaco
Die With a Smile (com Lady Gaga)
Baile Inolvidable
Nuevayol
Lo Que le Pasó a Hawaii (com Ricky Martin)
El Apagón
Café con Ron
DtMF.
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Tá na boca do povo:



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