Björk retira catálogo das plataformas em Israel em protesto ao genocídio na Palestina

domingo, 21 de setembro de 2025
por Alice Arruda

Neste domingo (21), Björk deu um passo decisivo em sua militância política ao retirar oficialmente todo o seu catálogo musical das plataformas digitais em Israel. A medida é um gesto contundente contra o genocídio do povo palestino e integra a campanha global “No Music For Genocide“, que pede a artistas e gravadoras o bloqueio de acesso a usuários israelenses como forma de protesto.

Björk em foto promocional do álbum "Post". Imagem: Divulgação.

Björk em foto promocional do álbum “Post”. Imagem: Divulgação.

A decisão não é isolada. Em novembro de 2023, a cantora islandesa já havia manifestado seu apoio à Palestina, utilizando suas redes sociais para acusar Israel de genocídio e denunciar a colonização e a expropriação de terras, chegando a compartilhar imagens do mapa palestino como símbolo de resistência. Aos 59 anos, Björk mantém-se fiel à sua trajetória de engajamento, marcada pela defesa de causas ambientais, sociais e culturais.

Embora suas músicas permaneçam acessíveis em plataformas como Bandcamp e YouTube, a exclusão de seu catálogo nas principais plataformas de streaming em Israel ecoa a estratégia de pressionar instituições e governos através da arte. Como destacam os organizadores da campanha: “Embora a cultura não possa impedir bombas, ela pode mudar a opinião pública e ajudar a resistir à normalização de Estados que cometem crimes contra a humanidade.”

Nos últimos dias, o movimento ganhou ainda mais força com a adesão de artistas e bandas de peso, como BadBadNotGood, Young Fathers e, de forma emblemática, o grupo britânico Massive Attack, conhecido por seu histórico de posicionamento político. Até o momento, mais de 400 artistas e gravadoras já se uniram ao boicote, mas o alcance permanece limitado, uma vez que grandes conglomerados como Sony, Warner e Universal não aderiram. A pressão sobre essas corporações, contudo, aumenta: “Quanto mais de nós houver, mais fortes seremos. Este é apenas o primeiro passo”, afirmam os organizadores.

A iniciativa lembra o boicote cultural imposto à Rússia após a invasão da Ucrânia, sinalizando um movimento crescente de artistas que utilizam sua influência global para confrontar regimes e políticas que violam os direitos humanos. Com vozes como a de Björk e do Massive Attack na linha de frente, o protesto ganha contornos ainda mais potentes e se consolida como um marco de resistência cultural frente às atrocidades em curso.

O último álbum de inéditas lançado por Björk foi “Fossora“, em 2022

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