Há 20 anos, Rihanna explorava a perspectiva feminina em seu segundo álbum “A Girl Like Me”
Há 20 anos, Rihanna lançava seu segundo álbum de estúdio, “A Girl Like Me”. O disco, que transita entre R&B contemporâneo, reggae, dancehall, pop e dance-pop, chegou às lojas apenas oito meses após o debut “Music of the Sun” e consolidou uma nova etapa em sua trajetória. Com uma abordagem centrada na perspectiva feminina, o projeto explora temas como amor, autoconfiança, infidelidade, relacionamentos e amadurecimento emocional.

Rihanna em foto promocional para o álbum “A Girl Like Me”. Imagem: Divulgação.
Após colocar o mundo para dançar com “Pon de Replay”, Rihanna e a gravadora Def Jam precisavam provar que a jovem caribenha não era um fenômeno passageiro. Ainda em 2005, pouco depois da estreia, a cantora iniciou as gravações do novo álbum. O resultado evidenciou uma clara transição: do pop caribenho inicial para uma sonoridade mais madura, polida e alinhada ao mercado internacional.
O primeiro single, “SOS”, incorpora um sample de “Tainted Love”, do grupo britânico Soft Cell. A faixa também se destaca por referências a clássicos dos anos 80 inseridas em sua letra. Apesar do potencial comercial, a Def Jam inicialmente não apostava no sucesso da música. Rihanna, no entanto, confiou na escolha. O resultado foi decisivo: “SOS” se tornou seu primeiro grande hit, alcançando o topo da Billboard Hot 100 e consolidando seu status como estrela em ascensão. O videoclipe foi dirigido por Chris Applebaum, que também assinou uma versão alternativa vinculada a uma campanha promocional com a Nike.
Escolhida como segundo single, “Unfaithful” marcou uma guinada emocional. Escrita por NE-YO e produzida pelo duo Stargate, a canção aborda a culpa e o conflito de uma traição sob uma ótica mais madura e introspectiva. Inspirada em experiências pessoais da adolescência da artista em Barbados, a faixa alcançou o sexto lugar na Billboard Hot 100 e reforçou sua credibilidade ao explorar baladas de R&B. O videoclipe, dirigido por Anthony Mandler, inaugurou uma parceria duradoura entre a cantora e o diretor.
Na sequência, “We Ride” apresentou um tom mais melancólico. A letra retrata a desilusão de uma mulher diante de promessas não cumpridas, concluindo que nem tudo é eterno. Musicalmente, a faixa combina R&B, hip-hop soul e pop em uma atmosfera suave e contemplativa. Nos Estados Unidos, o single teve desempenho fraco e não conseguiu entrar na Billboard Hot 100, embora tenha alcançado o Top 10 em mercados da Europa e Oceania. O videoclipe, também dirigido por Anthony Mandler, aposta em uma estética minimalista e intimista, reforçando o caráter introspectivo da canção.
Anos depois, a própria Rihanna revelou não ter apreço pela canção, chegando a afirmar que “odeia” a faixa, o que contrasta com a recepção positiva que ela teve em alguns mercados internacionais.
Encerrando a divulgação do álbum no fim daquele ano, “Break It Off”, parceria com Sean Paul, resgata as raízes caribenhas de Rihanna. Com sonoridade dancehall e estrutura pop, a faixa explora sedução, desejo e jogos de atração. Mesmo sem videoclipe oficial, alcançou a nona posição na Billboard Hot 100.
Durante o processo de gravação, Rihanna viajou à Jamaica, onde mergulhou na cultura local ao lado do cantor. Entre estúdios, praias e a vida noturna de Kingston, um dos momentos mais simbólicos foi a visita ao Bob Marley Museum, experiência que reforçou sua conexão com as origens do reggae e do dancehall.
Outras faixas que se destacam no disco incluem “Kisses Don’t Lie”, “Dem Haters”, com o artista barbadiano Dwane Husbands, e “Final Goodbye”.
Em “Kisses Don’t Lie”, Rihanna aposta em uma sonoridade que mescla reggae e pop para abordar a insegurança emocional e o medo de ser enganada em um relacionamento.
Já “Dem Haters”, com forte influência do dancehall e do reggae, assume um tom de advertência ao abordar a presença de pessoas guiadas por inveja e falsidade, inclusive dentro de círculos próximos. A faixa amplia essa ideia ao propor uma reflexão de caráter universal, sugerindo cautela diante de aparências enganosas e reforçando a importância de reconhecer e preservar relações genuínas.
Por fim, “Final Goodbye”, construída sobre uma base de R&B e pop, mergulha na vulnerabilidade diante do fim de uma relação, destacando o arrependimento e a frustração por sentimentos não expressos a tempo. Juntas, essas faixas ampliam o espectro emocional do álbum, reforçando sua abordagem feminina e multifacetada sobre amor, desconfiança e amadurecimento.
Para promover o álbum, Rihanna embarcou na turnê Rihanna: Live in Concert Tour, percorrendo cidades dos Estados Unidos e Canadá durante o verão norte-americano. A série de shows representou uma das primeiras experiências da artista em turnê própria e funcionou como um passo importante em sua trajetória ao vivo, contribuindo para o desenvolvimento de sua presença de palco e preparando o terreno para conquistas maiores nos anos seguintes.
Nas eras de “Music of the Sun” e “A Girl Like Me”, Rihanna teve sua imagem e som fortemente controlados pela Def Jam Recordings, com pouca liberdade criativa. As constantes comparações com Beyoncé geraram cobranças da mídia e da indústria por desempenho, presença de palco e consolidação como estrela. Esse cenário contribuiu para uma mudança de direção, levando Rihanna a assumir maior controle artístico e, nos anos seguintes, construir uma identidade própria e ditar tendências no pop.
Duas décadas depois, “A Girl Like Me” permanece como um retrato de transição: o ponto em que Rihanna deixou de ser promessa para se afirmar como uma artista em construção, equilibrando vulnerabilidade, ambição e identidade em formação. Um capítulo essencial na narrativa de uma das maiores estrelas do pop contemporâneo.
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