Lily Allen estampa a nova capa da Interview Magazine e fala sobre o álbum “West End Girl”

quarta-feira, 29 de outubro de 2025
por Alice Arruda

A revista Interview revelou nesta quarta-feira (29) sua nova edição, estrelada pela cantora britânica Lily Allen, fotografada por Arnold Daniel.

Lily Allen para a revista Interview. Imagem: Reprodução.

Lily Allen para a revista Interview. Imagem: Reprodução.

Na última sexta-feira (24), a artista lançou seu novo álbum, “West End Girl”, no qual aborda o fim de seu casamento com o ator David Harbour e expõe as traições do ex-marido.

Lily revelou que o processo de composição foi intenso, mas rápido:

Eu escrevi este disco em 10 dias em dezembro e me sinto muito diferente sobre toda a situação agora. Todos nós passamos por términos e é sempre brutal pra caramba.

Apesar de tratar de temas dolorosos, a cantora destacou que não busca revanche:

É isso que é divertido neste disco; é visceralmente como passar por tudo. Na época, eu estava realmente tentando processar as coisas e isso é ótimo em termos do álbum, mas não me sinto confusa ou com raiva agora. Não preciso de vingança.

Segundo Lily, “West End Girl” não é um álbum movido por rancor:

Não é um álbum cruel. Não sinto que estou sendo maldosa. Eram apenas os sentimentos que eu estava processando na época.

A cantora contou que criou o projeto ao lado de um parceiro de confiança:

Eu estava com o produtor executivo, um cara chamado Blue, que também foi o diretor musical da minha última turnê em 2018. Eu estava aqui em Nova York e pensei: ‘Estou ficando louca. Preciso sair desta casa e compor com alguém em quem confio’. Liguei para o Blue e ele tinha 10 dias, então eu simplesmente fiz tudo nesses 10 dias.

Ela também descreveu como foi o processo criativo em estúdio:

Tem um álbum que eu adoro, chamado ‘A Grand Don’t Come for Free by the Streets’, e é como um filme do começo ao fim. Cada música pode se destacar sozinha e fazer todo o sentido, mas juntas são mais como um romance. Eu sempre quis fazer isso, e simplesmente aconteceu neste disco. Na noite anterior à minha entrada no estúdio, escrevi 18 títulos de faixas — sem melodias, sem letras. Ninguém no estúdio sabia o que estava acontecendo na minha vida. Cheguei lá, passei umas duas horas chorando copiosamente, e então pensei: ‘Vamos escrever um álbum baseado em alguns desses sentimentos’. Havia marcadores que eu queria atingir para dar um começo, meio e fim.

Lily contou ainda que revisou algumas canções para evitar um tom de vitimismo:

Não sei se eu tinha feito isso na época, mas voltamos e ajustamos as coisas. Era muito importante para mim não soar como uma vítima, então eu pensava: ‘Temos que mudar essa fala. Ela soa muito “Coitada de mim”’. Eu queria que soasse brutal e trágico, mas também empoderador, que houvesse alegria em poder expressar isso.

A cantora também refletiu sobre como o avanço da tecnologia mudou sua relação com a música:

Não sou uma grande ouvinte de música. Eu costumava ser, quando era casada com meu primeiro marido, que era um grande colecionador de discos. Mas sinto que a digitalização da música me prejudicou um pouco.

Sobre como supera um coração partido, Lily foi sincera:

Acho que é só sair e socializar. Sou culpada de colocar tudo em uma pessoa só quando estou em um relacionamento. Então, quando essa pessoa vai embora, me sinto completamente desolada e demoro um pouco para pensar: ‘Na verdade, também posso contar com os amigos para algumas dessas coisas.’”

Antes de “West End Girl”, Lily havia lançado “No Shame” em 2018. Desde então, enfrentou um bloqueio criativo que a impediu de compor novas músicas:

Bom, tudo o que eu escrevia era besteira. Eu sentia como se tivesse um bloqueio criativo ou algo assim, mas, na verdade, acho que eu simplesmente sabia que algo não estava certo. Sempre me esforço para dizer a verdade na minha arte, então acho que, inconscientemente, eu sabia que algo não estava certo na minha vida pessoal, e eu não conseguia ir por esse caminho criativamente, porque, se eu fizesse isso, tudo desmoronaria. Então, meio que foi preciso que tudo desmoronasse para que eu encontrasse minha voz autêntica.

A artista contou que, nos últimos sete anos, escreveu muitas músicas, mas não sentia vontade de compartilhá-las — até o fim do casamento, que reacendeu seu impulso criativo:

Foi imediato. Provavelmente tenho umas cem músicas que escrevi nos últimos quatro ou cinco anos, mas você sabe disso quando sai do estúdio. Você quer colocar a música para tocar no carro e ouvir no caminho para casa. Você quer mandar para os amigos. Eu não tive essa sensação. Eu não diria que estava envergonhada, mas não estava empolgada com nada do que tinha feito a ponto de querer compartilhar com as pessoas que amo, muito menos com o resto do mundo. Enquanto isso, quando comecei a escrever isso, pensei imediatamente: ‘Estou no caminho certo.’”

Com “West End Girl”, Lily Allen transforma o fim de um casamento em uma poderosa narrativa de libertação emocional e redescoberta artística — um testemunho de vulnerabilidade e força em meio ao recomeço.

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